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Quem tem filhos com uma pessoa narcisista é obrigado a tomar decisões impossíveis. Decisões que não têm opção boa de verdade. A opção que você gostaria, claramente, é que essa pessoa caísse em si, que ela melhorasse, que ela parasse de manipular, distorcer, controlar e ser abusiva, e pudesse fazer parte de uma família estável e tranquila para os seus filhos.
Mas essa opção não está na mesa. Essa opção não existe quando se trata de um relacionamento com uma pessoa narcisista, porque ela não tem essa capacidade.
Ficar é ruim. Sair é ruim. Tudo vem com consequências graves para você e para os seus filhos. São escolhas impossíveis e, por isso, escolhas que paralisam. O problema é que quando você não toma decisão nenhuma, isso também é uma decisão passiva. E geralmente as consequências de não fazer nada custam caro a longo prazo.
A meta deste artigo é trazer clareza sobre o que está acontecendo, minimizar os danos causados a você e aos seus filhos, e para te ajudar a tomar decisões conscientes, mesmo que não sejam ideais ou aquilo que você realmente gostaria.
Os três grandes Desafios
Quem tem filhos com uma pessoa narcisista enfrenta três categorias de desafios:
1. A dúvida de ficar ou sair. Ficar pelo bem dos filhos ou sair pelo bem dos filhos? Quais são os riscos e os danos associados a cada opção?
2. Como proteger os filhos. Independentemente de estar dentro ou fora do relacionamento: como eu protejo os meus filhos desse pai ou dessa mãe narcisista? O que fazer e o que não fazer?
3. O sentimento de culpa por ter escolhido um(a) narcisista. A culpa de ter escolhido um parceiro abusivo para ser pai ou mãe dos seus filhos, somada à sensação de ter se colocado numa situação aparentemente impossível de lidar.
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Ficar ou sair? A verdade
Não existe uma única resposta certa. Não existe verdade universal.
Quando você fica, os filhos veem o modelo tóxico, veem um modelo de abuso, e aprendem por observação. Você pode ensinar diferente, falar diferente, tentar blindar os seus filhos, mas eles vão ver a dinâmica e vão internalizar essa dinâmica pelo modelo. Às vezes o abuso é só com você. Às vezes é direto com a criança também. Mas o modelo de como uma mulher é tratada dentro do relacionamento, de como um homem é tratado, fica registrado.
Quando você sai, vem o abuso pós-separação. Não é que você sai e a pessoa narcisista aceita pacificamente que não deu certo. Quando o relacionamento acaba, a pessoa narcisista quer se vingar, quer fazer o outro pagar. Vem a remoção do apoio financeiro, o divórcio litigioso, a tentativa de tirar tudo de você e ainda tirar os filhos. E quando há divisão de guarda, os filhos passam tempo na casa do outro sem a sua supervisão.
Qualquer caminho que você escolher, você vai ter motivos para se culpar. Quem ficou se culpa por ter ficado. Quem saiu se culpa por ter saído. Tenha certeza: se você tivesse escolhido o caminho oposto, você se culparia também. Você não tem boas opções. Você tem apenas o melhor que pode fazer.
Exceção absoluta: violência doméstica. Se há agressão física ou ameaça à vida, sair não é escolha, é necessidade. E precisa ser feito de forma muito discreta, sem avisar o abusador, com advogado ativado e indo para um lugar seguro. Esse é outro tipo de caso e exige outro tipo de ação imediata. Se estiver passando por isso, ligue para 180 para denunciar violência contra a mulher e receber orientação gratuita e imediata no Brasil.
Os 6 erros que pais e mães bem-intencionados cometem
Atenção: essa parte é dura. Cada um desses erros parece, no momento, a coisa certa a fazer. Parece intuitivo. Mas são erros, e eles pioram a sua situação e a situação dos seus filhos.
Não é para você se martirizar se reconhecer alguns desses. São erros honestos, cometidos por pessoas bem-intencionadas tentando lidar com uma situação impossível. O propósito de identificá-los é para você ter chance de corrigir daqui para frente, em qualquer idade que os seus filhos tenham hoje.
Erro 1: Falar mal do pai ou da mãe narcisista com os filhos
Você quer desesperadamente o apoio dos seus filhos. Quer que eles enxerguem as injustiças, quer alertá-los pelo bem deles. Mas falar mal é um tiro no pé.
A pessoa narcisista também está falando mal de você. Pode ter certeza disso. Para uma criança, soa como se um estivesse falando mal do outro, dos dois lados. Ela não consegue diferenciar denúncia legítima de manipulação. Você acaba parecendo ser igual à pessoa abusiva.
Pior: a pessoa narcisista se faz de vítima ("sua mãe fala isso de mim, coitado de mim, eu que faço tudo pela família"). Quando você confirma com fatos que a pessoa é abusiva, a criança pensa "bem que ele falou que ela era assim, ele é vítima mesmo". Você, que é a pessoa que de fato cuida, vira o vilão da história sem ser o real vilão. É trágico e é muito comum.
Mesmo com filhos adultos, não é a sua tarefa convencê-los de que o pai ou a mãe é narcisista. Se eles vierem com o tema, vocês podem conversar abertamente. Se não vierem, não force, porque vai te afastar deles. O apoio que você precisa nessa parte deve vir de amigos, terapia, mentorias e grupos especializados. Não dos seus filhos.
Erro 2: Fazer gaslighting (sem querer) com os próprios filhos
Esse é o mais difícil de perceber e inocente, mas muito nocivo. Acontece quando você minimiza ou reinterpreta o comportamento narcisista para proteger a criança da realidade que ela está vivendo:
"Ele não quis dizer isso, só estava cansado."
"Sua mãe te ama do jeito dela, é só o jeito dela ser."
"Não foi nada, não precisa chorar, papai te ama."
"Você está exagerando, esquece, amanhã ela já nem lembra."
Toda vez que você minimiza o comportamento abusivo da pessoa narcisista para os seus filhos, você está ensinando que eles não podem confiar nas próprias percepções de injustiça e abuso, e que não adianta vir te contar porque você não vai levar a sério.
Você sabe muito bem como é essa dor de ser desvalorizada e invalidada por uma pessoa narcisista. Esse treinamento de fingir que não foi nada é exatamente o que produz a próxima geração de vítimas: gente que cresce sem identificar abuso, que minimiza, que pensa "ah, deve ser eu que estou exagerando, no fundo essa pessoa me ama".
Erro 3: Pintar um retrato grandioso e falso do(a) narcisista
Frases como "seu pai ama muito vocês, vocês têm muita sorte" ou "sua mãe sacrifica tudo por vocês" criam uma fantasia que a criança não está vivendo. Ela sente o oposto no dia a dia, e é ensinada a chamar isso de amor. É ensinada a idolatrar uma pessoa que é abusiva.
Isso gera uma dissonância cognitiva enorme e dolorosa: ela vê uma realidade, mas é treinada a chamar essa realidade de outra coisa. Fingir que tudo é maravilhoso (quando não é) é o pior que você pode fazer pelos seus filhos.
E quando essa criança ou jovem crescer e perceber a realidade, ela vai te ressentir por não ter dito a verdade. Vai se sentir abandonada pelos dois: pela pessoa narcisista que nunca esteve realmente disponível, e por você, que pintou uma mentira. É uma sensação de traição.
Erro 4: Exigir respeito cego dos filhos
"Você tem que respeitar seu pai porque ele é seu pai." "Não importa o que ela fez, ela é sua mãe, ela te deu a vida." "Ela te deu um teto e comida."
A gente precisa ensinar crianças a serem cordiais e respeitosas, não obedientes a qualquer figura de autoridade só por ser autoridade. Ensinar obediência cega é perigoso: produz adultos que depois obedecem chefes abusivos, parceiros abusivos, líderes manipuladores, exatamente como funcionam as seitas, onde a obediência à autoridade é treinada desde a infância.
Cordialidade sim. Obediência cega não.
Erro 5: Triangular ou usar os filhos como mensageiros
"Fala pro seu pai que ele não pagou a pensão." "Liga pra sua mãe e fala que..." "Me conta o que ela disse de mim..."
Isso tira o filho do papel de filho e o coloca como mensageiro, espião ou juíz. Qualquer lado que ele escolha, vai gerar culpa. E quando esse filho(a) cresce, muitas vezes vira o tipo de adulto que se envolve no drama de todo mundo, tentando resolver coisas que não são problema dela, assumindo responsabilidades que não lhe cabem.
Pode parecer mais fácil mandar recado pelo filho do que ter contato direto com a pessoa narcisista. Mas essas questões precisam ser resolvidas entre vocês. É a sua tarefa, não a da criança, nem de filhos adultos.
Erro 6: "Ele é abusivo comigo, mas é um bom pai para os filhos."
Essa é uma das frases que eu mais ouço.
"Ele leva no parque, compra sorvete, posta foto fofa nas redes, paga a escola. Os filhos amam ficar com ele. Talvez eu esteja exagerando. Talvez ele seja ruim só comigo, mas é um bom pai."
Não existe essa categoria. Um pai que trata mal a mãe não é um bom pai. Uma mãe que trata mal o pai não é uma boa mãe. A pesquisadora Christine Cocchiola, especialista em controle coercitivo, é muito clara: maltratar o outro genitor já é maltratar o filho. Ponto final.
O que parece ser bondade paterna ou materna, quando se trata de narcisistas, geralmente é performance. A pessoa narcisista é boa na hora da plateia: parque, foto, festa, presente, diversão. Não é boa no dia a dia, no apoio emocional, na criação real, que é onde a coisa pesa. Essa parte é terceirizada para avó, para babá, para você, para quem aparecer.
A criança é instrumentalizada para gerar suprimento narcisista (admiração, aliança), para construir capital social ("olha como sou um pai/mãe presente e admirável"), e como prova no tribunal na hora de tirar tudo de você no divórcio litigioso. Não porque a pessoa narcisista queira de verdade ficar com os filhos, mas porque não quer que você fique. Tira os filhos de você para te prejudicar e punir.
E o dano dessa instrumentalização geralmente não aparece nos filhos quando criança. Aparece mais tarde, na vida adulta, repetindo o padrão tóxico nos próprios relacionamentos sem entender por quê.
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Então, o que fazer?
Se não pode falar mal do pai/mãe narcisista com os filhos, nem minimizar os comportamentos tóxicos, nem idealizar, nem exigir obediência cega dos filhos, nem triangular, nem se enganar achando ele é abusivo só como você mas é bom pai em geral, o que sobra?
Sobra o equilíbrio mais difícil que existe: validar os sentimentos dos filhos sem demonizar o outro genitor.
Quando seu filho disser que ficou triste com algo que “o papai/mamãe fez”, você confirma que o sentimento dele faz sentido. "Sim, isso que aconteceu não foi legal. Você tem razão de ter se sentido assim." Você ensina o que é comportamento empático, o que é falta de empatia, o que é manipulação, o que é mentira, o que é estabilidade. Em termos de comportamento, sem rotular a pessoa. Com essa educação, a criança será capaz de ligar os pontos e tirar as próprias conclusões.
É um malabarismo com bolas explosivas de fogo. Você vai errar várias vezes, e tudo bem. Donald Winnicott chama isso de "mãe suficientemente boa": você não precisa acertar 100% do tempo, só na maior parte do tempo para ser boa mãe, ou bom pai.
Além da culpa: lesão moral
O que você sente vai além de culpa. Tem um nome para isso: lesão moral. Foi um conceito estudado originalmente em soldados de guerra. É um sofrimento profundo causado por ter feito, testemunhado ou falhado em prevenir algo que vai contra a sua consciência moral, que foi sem querer e que não tem como desfazer.
Antes de carregar esse peso sozinha, lembre:
Você não sabia que essa pessoa era narcisista quando se envolveu. Ninguém te ensinou a reconhecer manipulação ou controle coercitivo, porque eles acontecem de forma velada. Você não tinha as condições emocionais, materiais, legais ou de informação para agir antes. As opções que estavam (e estão) na mesa não incluem nenhuma boa de verdade.
Não é culpa sua que isso aconteceu. Você não é responsável pelo comportamento abusivo de outra pessoa. Mas você, como pessoa saudável da relação, é a única pessoa ali que está vendo o que está acontecendo e que pode fazer algo pelos seus filhos. Não é justo que tudo recaia sobre você. Mas é a sua responsabilidade.
Para fazer isso, você precisa estar fortalecida(o), com informação correta, orientação clara e apoio especializado. Não tente fazer sozinha(o).
Ficar dói de um jeito. Sair dói de outro. Falar dói. Calar dói. Proteger os seus filhos da realidade de uma pessoa narcisista é um campo minado. Mas você consegue fazer muito pela sua vida e pela vida deles, em qualquer idade que vocês estejam agora.
Próximo passo: Workshop Liberte-se de Narcisistas
Esse artigo é o começo. Existe muito mais que você precisa saber sobre as ferramentas concretas para se proteger, proteger os seus filhos, lidar com o abuso pós-separação e reconstruir a sua vida com paz.
É exatamente isso que acontece no Workshop Liberte-se de Narcisistas (WLN), nos dias 2 e 3 de maio: uma imersão de fim de semana ao vivo no Zoom, das 9h30 às 17h.
Não tem pressão para sair ou ficar no relacionamento. Não tem pressão para fazer contato zero. O foco é o seu fortalecimento, com ferramentas reais, embasamento e direcionamento para a sua vida.
Quem quiser as gravações para revisar depois tem essa opção na hora da compra do ingresso. Recomendo, porque é muita coisa e você provavelmente vai querer revisar.
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Até a próxima dose de imunidade!
Carol

